Nostalgia visual

O post de hoje é meio nostálgico mas não menos importante. Afinal de contas se trata do pai dos efeitos especiais. George Méliès. Quem não conhece a lua de Méliès? Seja pela história do cinema ou pela recente homenagem feita por Scorsese.

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Convenhamos que na época em que o filme foi feito não existiam lá efeitos avançadíssimos, mas ainda sim George cumpria seu papel e surpreendia a todos. As trucagens que ele fazia cumpria muito bem sua função de entreter e acima de tudo impressionar os espectadores.

Forrest Gump – O Contador de Chroma Keys

Além da maravilhosa atuação de Tom Hanks e do ótimo roteiro, Forrest Gump (1994) com certeza foi um filme marcante para os efeitos especiais. A data pode aparentar não ser muito antiga, mas é bom lembrar que no início da década de 90, apesar de já haver o uso de computadores, eles ainda eram bem caros e não tão popularizados assim – não existia nem internet direito. Portanto, os efeitos visuais conseguidos no filme, tão naturais que parecem inexistentes, são algo de certa forma à frente de sua época.

Muita coisa foi resolvida usando chroma key, técnica em que se filma um personagem ou algo que esteja em primeiro plano num fundo azul ou verde, sendo possível substituir esse fundo por um vídeo depois. Um bom exemplo é a cena inicial da pena voando até o pé do Forrest:

Outro ponto forte dos efeitos especiais do filme são as partes em que Forrest aparece em cenas históricas reais, como aquela em que cumprimenta John F. Kennedy dizendo que “precisa fazer xixi”. O vídeo mostra como isso foi feito a partir dos 1:55:

Toy Story: nostalgia

O primeiro longa de animação da Pixar, feito totalmente em computação gráfica. Uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos.

Aviso: Contém spoilers.

O que foi aquela despedida enigmática, que retrata de modo brilhante o que boa parte dos espectadores tiveram de fazer: doar boa parte dos brinquedos que fizeram suas infâncias divertidas e encarar de frente a vida adulta (mais uma vez um ritual de passagem, as vezes um pouco doloroso)? Foi o que fez Andy, nosso simpático protagonista no fim da trilogia Toy Story, que cresceu, como muitas crianças e jovens das décadas de 90 e 2000, brincando e se identificando com a fidelidade do Xerife Woody ou o desafio de voar de Buzz Lightyear ou algum daqueles outros brinquedos fantásticos com que nos identificamos. Nossos heróis.

Para quem viu: Lembram do Rex, o dinossauro medroso? E do Senhor Cabeça de Batata, empanturrado com objetos, alimentos, ferramentas pela Senhora Cabeça de Batata? E do Bala-No-Alvo, cavalinho carinhoso do Woody? Memoráveis. Dentre os temas em  destaque da trilogia, basicamente os processos de identificação pessoal, emocional e material. Amizade, amor, solidariedade, consumo, preservação e descarte de resíduos. Pode resumir bem as nossas vidas…

Questões: No 1 (1995), até que ponto a amizade é substituída pela legitimação da popularidade? Cuidar ou conhecer o funcionamento dos objetos, desmontando-os? No 2 (1999), a mudança de valores conforme o crescimento da pessoa, impõe a ela que recicle, doe e descarte brinquedos e outros materiais? Ou que ela opte por preservá-los? Mas um museu poderia fazer isso melhor? No 3, (2010) esse mesmo tema é trabalhado, mas de maneira mais solidária. Doar para quem ainda não possui, retardar o destino das coisas para o lixo ou a  incineração, o inferno para os brinquedos.

Em Ted, filme de 2012, do diretor Seth Mac Farlane, criador do seriado Family Guy, a situação de abandono é retratada, mas sob enfoques mais psicológicos e debochados e o Urso Ted envelhece e existe de verdade. Já os brinquedos de Toy Story, assim como em fábulas, são humanizados, mas não interagem com as pessoas, só quando estão sozinhos, o que gera o encantamento das histórias. E Lotso, o urso da Creche, é o vilão…

Segue abaixo o making of de Toy Story (parte 1 e 2), em inglês, que mostra fontes de inspiração e os trabalhos anteriores da Pixar de criação e  técnica para desenvolver a obra, como o filme Tron, de 1982, e Luxo Jr. de 1986, o famoso curta das luminárias. O segundo trecho mostra o processo de criação, com a importância da concepção artística detalhada e verossímil ligada à animação, e do storyboard, espécie de esquema que mostra os rascunhos dos quadros, a fim de constituir uma visualidade sensível e rica com uma história bem consolidada e coerente.

Gerações cresceram vendo Toy Story 1, 2 (aquele da Loja de Brinquedos do All) e 3 e provavelmente outras tantas irão ver, rir e “se emocionar”, no 3 é bem provável… Simplesmente, sensacional, retrato de nossa época.

Cinco vídeos sobre Star Wars que você precisa ver

Escrevendo o post de ontem, eu queria colocar alguns vídeos que adoro sobre Star Wars. Percebendo que poderia fazer outro post, juntei cinco deles que mostram como Star Wars se tornou um ícone cultural.

Star Wars segundo uma menina de 3 anos.

 

Música criada pelo grupo Moosebutter, “John Williams Is The Man”, com lip sync de Corey Vidal.

 

Propaganda que fez sucesso no Super Bowl 2011.

 

“The Star Wars That I Used To Know”, paródia da música do Gotye, mostrando os conflitos entre fãs e o George Lucas.

 

Personagens de Star Wars “cantando” Call me Maybe.

 

 

Uma trilogia de trilogias?

Nos últimos quinze dias, a grande notícia para o mundo cinéfilo foi a venda da Lucasfilm, a empresa que produziu a saga Star Wars, para a Disney, e o anúncio que mais uma trilogia da saga será lançado. Fãs se dividem entre amar e odiar a notícia, mas só entendendo o que foi o fenômeno nos anos 1970 para compreender a reação atual.

Star Wars foi o primeiro filme a extrapolar das salas de cinema. Antes dele, se via o filme e pronto. Mas Star Wars mudou tudo ao conquistar fãs, e lançar bonecos, camisetas e diversas outras memorabilias. O universo criado por George Lucas abria espaço para muitas discussões, releituras e envolvimento do público. E isso só cresceu com o passar dos anos, não sendo raro encontrar fãs passionais e extremos.

Quando a segunda trilogia foi lançada, em 1999, houve a mesma divisão entre os fãs que vemos agora. Muitos acreditavam não ser necessário ir além da trilogia original e que os novos filmes seriam feitos só para ganhar dinheiro e público. Ao mesmo tempo, outros se empolgavam com a oportunidade de saber mais sobre o universo. Ao alterarem os filmes antigos com a inserção de criaturas digitais, novamente grandes discussões surgiram. Então, não é surpresa alguma que a venda para a Disney divida opiniões.

A relação dos fãs com a obra e seu autor é dúbia, pois eles amam a criação de George Lucas, mas se frustram com decisões que alterem o conceito original. Esse fato é tão marcante e diferente de outras relações público-filme que se tornou caricato, multiplicando-se em piadas e referências.

Outro fator que tornou Star Wars revolucionário ainda nos anos 1970, foram os efeitos especiais utilizados, ainda mais essenciais se tratando do gênero ficção-científica. Usaram maquetes, chroma key e bonecos para criar uma galáxia muito, muito distante.

Enquanto a trilogia original foi feita com muitos efeitos mecânicos, o prequel é basicamente de efeitos visuais. No vídeo abaixo, vemos o incrível trabalho dos dublês e parte do making of do Episódio III.

 

Gostem ou não, Star Wars é um marco na história, não só do cinema, mas também da indústria de entretenimento. E se tem algo que podemos ter certeza é que a trilha musical criada por John Williams para os filmes se mantém no imaginário popular até hoje.

 

Um efeito vale mais que mil palavras

Procurando informação para comentar sobre este filme encontrei um vídeo que depois de dar uma olhada me deixou pensando… O que falta dizer?  Provavelmente seja minha visão pessoal do conteúdo, mas  reduzo a complexidade da questão a uma simples e concreta palavra (como diz um amigo meu): fantástico.

Ainda que o Óscar seja apenas outro fragmento da máfia cinematográfica, em que muitas vezes o verdadeiro reconhecimento é mediado por interesses que não fazem sentido em relação ao que deveria ser o “objetivo” dos prêmios, desta vez Hugo supera esses obstáculos e em 2012 é ganhador bem merecido de 5 prêmios dados pela Academia além de 3 Globos de Ouro e 2 Prêmios BAFTA (Prêmios de Cinema da Academia Britânica). Ganhou na categoria  de melhores efeitos especiais, trabalho feito pela companhia Pixomondo, que “processou 98% do filme em efeitos digitais, 854 tomas com um total de 62 minutos”  segundo Sebastian Leutner produtor executivo da Pixomondo.

Este filme  é baseado no livro de Brian Selznick  “A invenção de Hugo Cabret” , adaptado por John Logan e dirigido por Martin Scorsese em co-produção com Graham King (GK Films).

Algumas pessoas falam que os dez primeiros minutos de um filme são os determinantes de seu  sucesso, então volto à primeira vez que assisti Hugo Cabret e me lembro quão impactada fiquei pelo plano sequência inicial, que com certeza abriu com 5 estrelas a maravilhosa história de sua invenção.

Não chore pelo sangue derramado…

Poderíamos falar de qualquer filme do Tarantino nesse post, mas Kill Bill parece ser o mais notável em relação ao tema. São lutas e mais lutas, sem a menor intenção de poupar sangue. Quanto mais jorrar, sujar, espirrar e escorrer, melhor.

É interessante notar que apesar de a história no geral ser uma grande ficção, bem longe da realidade, não foram usados efeitos especiais computadorizados (e, visto que o filme foi lançado em 2003, isso é um grande diferencial). Segundo o Imdb, Tarantino proibiu o uso deles. Profundamente inspirado pelo diretor chinês Chang Cheh – conhecido pelos filmes de artes marciais que fez nos anos 70 -, o homem dos filmes sangrentos quis imitar o método antigo: camisinhas cheias de sangue falso que explodiam com o impacto.

Tal idéia, apesar de simples, deu um certo trabalho. Foram mais de 450 galões de sangue falso usados nos dois primeiros filmes. Além disso, era usado um tipo diferente de sangue para cada situação, escolhidos pelo diretor, como revelou em uma entrevista à revista americana Time: “Eu digo, ‘não quero sangue de filme de terror, ok? Quero sangue de samurai.’ Você não pode jogar essa calda de framboesa pra panqueca numa espada e conseguir que fique bom. Você tem que ter esse tipo especial de sangue que só se vê nos filmes de samurai.”

Quem quiser relembrar a luta da Uma Thurman contra a Gogo e os Crazy 88’s: