Anime-se

Faltando muito pouco pra voltar pro meu país, penso com muita frequência no tempo e quão rápido este faz dos fatos, lembranças. Quando era criança, por exemplo, podia ficar horas e horas na frente da TV, até brigava com meu irmão pelo controle, assunto que, pensando de novo, era mais uma luta de poder e território. Enfim, lembro de meus pais falando preocupados e tentando me convencer, dizendo que meus olhos ficariam quadrados, coisa que nunca acreditei apesar da minha ingênua idade. Hoje pra tranquilidade deles só um bom filme pode fazer com que eu assista TV, mas agora tenho um novo melhor amigo (e meus pais um novo inimigo): o Laptop, aquele aparelho que  sabe  de  minhas obsessões, medos, necessidades e foi cúmplice em muitas ocasiões. No entant0, aquilo que pode ser tão funcional para mim, não é tanto para as gerações mais velhas (mesmo que não em todos os casos) reduzindo a bondades da red à ideia da inutilidade do Facebook. Assim como o tempo passa, mudam as lógicas e a maneira que os indivíduos se relacionam com o que está ao seu redor. Para felicidade de alguns, o desenvolvimento tecnológico deu ferramentas a um espaço virtual que facilitou e pôs em nossas mãos possibilidades que algum tempo atrás eram impensáveis.

A edição, criação de podcast e animação, eram trabalhos que precisavam de recursos e amplo conhecimento para serem desenvolvidos. Bom, para aqueles que ainda não são nativos digitais e curtem provar e provar até aprender, compartilharei rapidamente algumas opções que podem não ser o último software, mas talvez sejam de muita ajuda em algum momento.

O primeiro destes programas é o Go!Animate, um aplicativo de animação online onde você pode escolher um cenário, personagens e dar a estes emoções, escolhendo também o idioma e até o sotaque deles. Pode escrever o que você quer que os personagens falem ou pode gravar sua própria voz. Tem limitações do tipo: o máximo de cenas para a animação são nove, nem todos os avatares e os cenários estão disponíveis, a qualidade do vídeo é boa, mas não a melhor… e isto por quê? Porque se você quer mais tem que pagar o famoso Premium. Ainda assim dá pra fazer coisas divertidas, eu fiz um exemplo para o blog, com certeza vocês conseguirão produzir melhores filminutos.

Se gostar de seu vídeo e quiser fazer alguns ajustes como título, créditos, máscaras  ou inserção de som e imagens, o Wevideo é uma opção ótima. Este é um software de edição na nuvem que em minha opinião tem como vantagem a possibilidade de fazer produções colaborativas: podem participar do processo mais de um usuário ao mesmo tempo e trabalhar no mesmo projeto. Além disso, por ser de armazenamento  na nuvem permite abrir o projeto de qualquer PC, só fazendo login.

Wevideo

E por último, se quer fazer sua própria música, o Soundation é uma ferramenta fácil é legal para produzí-la, tem bytes e efeitos predeterminados, é só juntá-los em harmonia e pronto. Como o Wevideo, é de armazenamento na nuvem, o que permite trabalhar de qualquer terminal. Outro breve exemplo:

Soundation Exemplo- IlhaBela podcast-Pavla

Acho que a complexidade de uma produção deste tipo sem dúvida depende dos meios técnicos para consegui-la, mas a elaboração certa do conceito, a ideia e o desenvolvimento da criatividade fazem com que tudo seja possível.

Folhanimação:

Ainda que este blog seja enfocado em efeitos especiais em cinema (faz sentido agora Cine FX ne? ) encontrei uma animação que não posso deixar passar sem fazer um post. Se trata de um videoclip musical  que faz do stop motion uma verdadeira arte oriental… oriental por aquilo da paciência e a perfeição. Na verdade acho que para fazer uma produção como esta, se precisa mais paciência que folhas e fotos.

“Love Is Making It’s Way Back Home” foi criado com arredor de 12,000 figurinhas de papel que é equivalente ao numero de fotografias e sem a utilização de nenhum efeito na post produção.

Existem diversas técnicas de Folhanimação (termino que ainda que não esta institucionalizado mas sirve pra denominar esta técnica) achei outra um pouca mais velha velha  e que provavelmente conheçam, mas que ainda assim vale a pena assistir de novo.

Eu deitada e os anjos no meio da praça.

No final de semana, há uns 20 dias, foram 48 horas em que eu só queria ficar deitada procurando vídeos, esperando encontrar um daqueles que provoquem pensamentos tipo: “como fizeram isso?”, ou “gente, que história mais legal!”, ou “que louco criou esse personagem?”. Daqueles que você acha que tem que ver mais uma vez para responder as perguntas que surgiram enquanto assistia. Descobre que na verdade não precisa, só que gostou tanto que pode, quer e necessita ver mais uma, e outra e outra vez; felizmente no domingo, de tarde, tive a sorte de encontrar “Os anjos do meio da praça” um curta de animação da direção de Alê Camargo, roteirista, diretor e produtor de animação, cuja versatilidade lhe permitiu experimentar no campo da publicidade e da docência, e  sua esposa Camila carrossine, artista plástica, autora e ilustradora de livros infantis.

Ainda que já tenha feito os comentários anteriores sobre o curta, não quero contar a história porque acho que são dessas que fazem sentido na experiência de quem as assiste.


Continuando com minha anedota, na quinta depois daquele fim de semana, eu mostrei pra um amigo o que eu tinha achado, ele falou que já tinha visto e que conhecia o site da produtora daquele curta. Dei uma olhada no site e nisso abri a janela de contato. Gente, nesse momento vi a possibilidade de conseguir uma entrevista com ele (Alê) pra fazer um post no blog. Com a ideia na cabeça chegou a sexta, onde a equipe do blog se encontra pra discutir o que vai escrever para o próximo post, e eu ainda sem saber se tinha uma verdadeira chance de falar com ele disse:

– Entrevista com Alê Camargo :S

Fiquei meio preocupada, mas com a esperança de ter algo de informação. Achei, estranhamente, que o twitter poderia ser o meio de exercer pressão, pensava… se faço público o comentário, certeza que ele vai responder (-_-). Devo dizer que nem sempre funciona, por sorte esta vez consegui, mas acho que não foi por aquele negócio da pressão, acho que foi mais do caráter dele. Depois de ser professor você só tem dois caminhos: ou odiar a juventude e ficar com um trauma a vida inteira, ou facilitar a vida da gente. Acho que ele escolheu a segunda.

Agora vamos deixar um pouco minha narração e dar sequência ao relato que o Alê quis compartilhar com a gente nesta oportunidade.

  • Porque escolher a animação como a linguagem audiovisual?

R.: A animação é uma forma de expressão incrível. É a chance de você contar a história que tiver vontade, sem ficar preso aos custos de uma filmagem com atores. É claro que estou simplificando, mas em linhas gerais custa o mesmo fazer uma cena com alguém passeando em Marte, ou sentado em casa vendo TV.

  •  O que é a Buba Filmes?

R.: A Buba Filmes somos eu – Alê Camargo – e minha esposa e sócia, Camila Carrossine . Eu sou animador desde 1997, e a Camila é autora e ilustradora de livros infantis, além de ser artista plástica. Nós produzimos animação e ilustração. Já fizemos vários curtas e pilotos para a TV, comerciais, e booktrailers. No momento também estamos criando e produzindo livros interativos para iPad (para marcas como Discovery Kids, Animal Planet e outras).

http://bubafilmes.blogspot.com.br/p/sobre-nos.html

  • Como fazer produções independentes de qualidade, de onde provêm os recursos?

R.: O Brasil possui várias formas interessantes de incentivo à Cultura, em âmbito estadual e federal. Existem editais diversos para criação de curtas, roteiros, projetos de séries de Tv e por aí vai. Mas é claro, com a popularização de softwares livres e o barateamento dos custos de computadores, nada impede que as pessoas criem suas produções mesmo com recursos próprios. O céu é o limite, e às vezes nem isso.

  • Tem algum projeto em andamento agora?

R.: Estamos trabalhando em vários projetos no momento. Além de estar  produzindo vários apps em parceria com a Editora LivoBooks de Belo Horizonte, estamos no meio da produção de nosso novo curta, o filme “João o Galo Desregulado”. Será nosso primeiro musical, e nosso primeiro filme produzido especialmente para o público infantil. Deve ficar pronto no final de fevereiro.

  •  Falando um pouco mais da logística e da produção do curta-metragem: Como é a distribuição de funções para a pré-produção, produção e pós-produção de um curta?

R.: Aqui na Buba Filmes somos bem tradicionais com as fases do trabalho. Seguimos um método já testado e aprovado por uma infinidade de outros animadores antes de nós.

Criamos um roteiro. A partir dele, criamos os storyboards. Depois editamos os storyboards numa sequência, já com os tempos que as cenas terão no filme pronto: isso é o animatic, e com ele pronto chegamos ao fim da pré-produção.

Então,  modelamos, texturizamos e rigamos os personagens, modelamos os cenários e adereços que serão usados no filme. Com o animatic como base, entregamos os modelos para os animadores, que criam a movimentação das cenas. As cenas já animadas são iluminadas e renderizadas. Muitas vezes, também passamos as cenas por um processo de composição: os elementos são gerados separadamente e montados num software como o Shake da Apple. Isso completa a produção.

Na pós-produção, juntamos todas as cenas, acrescentamos a trilha e os efeitos sonoros, e completamos o filme.

  • Qual é o software que prefere para trabalhar as animações?

R.: Trabalhamos com o software Maya, da Autodesk.

  •  A ideia principal e os personagens de uma animação são fixos desde o principio ou aparecem opções de modificação durante a produção?

R.: Nós temos uma base bem sólida de história pronta desde o começo. Mas às vezes acontecem “acidentes felizes”, e algumas cenas ficam diferentes do planejado. Entretanto, nunca  geramos opções para a edição: é muito trabalhoso animar, então não podemos perder tempo criando material que não será usado no filme pronto.

  •  Ser animador parece ser um trabalho divertido, tem horas que não é assim?

R.: É divertido, mas é incrivelmente trabalhoso. Lembramos-nos disso bem claramente quando não podemos folgar num feriado, por exemplo, ou quando acontece de virarmos uma noite trabalhando para conseguir entregar um projeto.

  •  Uma animação que considere top:

R.: Meu Vizinho Totoro, ou qualquer outro filme do Hayao Miyazak.

Conclusão: Fim de semana de pipoca é Bubafilms.

Um efeito vale mais que mil palavras

Procurando informação para comentar sobre este filme encontrei um vídeo que depois de dar uma olhada me deixou pensando… O que falta dizer?  Provavelmente seja minha visão pessoal do conteúdo, mas  reduzo a complexidade da questão a uma simples e concreta palavra (como diz um amigo meu): fantástico.

Ainda que o Óscar seja apenas outro fragmento da máfia cinematográfica, em que muitas vezes o verdadeiro reconhecimento é mediado por interesses que não fazem sentido em relação ao que deveria ser o “objetivo” dos prêmios, desta vez Hugo supera esses obstáculos e em 2012 é ganhador bem merecido de 5 prêmios dados pela Academia além de 3 Globos de Ouro e 2 Prêmios BAFTA (Prêmios de Cinema da Academia Britânica). Ganhou na categoria  de melhores efeitos especiais, trabalho feito pela companhia Pixomondo, que “processou 98% do filme em efeitos digitais, 854 tomas com um total de 62 minutos”  segundo Sebastian Leutner produtor executivo da Pixomondo.

Este filme  é baseado no livro de Brian Selznick  “A invenção de Hugo Cabret” , adaptado por John Logan e dirigido por Martin Scorsese em co-produção com Graham King (GK Films).

Algumas pessoas falam que os dez primeiros minutos de um filme são os determinantes de seu  sucesso, então volto à primeira vez que assisti Hugo Cabret e me lembro quão impactada fiquei pelo plano sequência inicial, que com certeza abriu com 5 estrelas a maravilhosa história de sua invenção.

Os efeitos especiais sabem a verdade sobre a área 51

Starship Troopers (Tropas Estelares) é um daqueles filmes de ficção típicos dos anos 90 da indústria norte-americana, onde os Estado Unidos são uma superpotência econômica, política e militar, que em nome da humanidade tem influência nos diversos conflitos do mundo: desta vez, uma invasão extraterrestre na Argentina. Valentes e corajosos soldados lutam contra terríveis monstros que vêm de planetas alienígenas distantes, obtendo a vitória, como é de se esperar.

Em meio a este discurso de superioridade da indústria cultural  dos EUA, temos que resgatar um magnífico desenvolvimento dos efeitos mecânicos deste filme.  Dez companhias dedicadas aos efeitos especiais estavam envolvidas, fazendo da animatrônica (uso de eletrônica e robótica em bonecos mecanizados) um recurso que conseguiu levar à tela dos cinemas verdadeiros seres fantásticos.

Em reconhecimento aos 500 efeitos usados no longa-metragem, Starship Troopers foi nomeado ao Óscar na categoria de Efeitos Especiais e ganhou os prêmios Saturno de Melhor Figurino e Efeitos Especiais, dados pela Academy of Science FictionFantasy & Horror em 1998.

Depois da segunda (2004) e terceira parte (2008), Starship Troopers voltou em julho deste ano com o quarto filme “A invasão”, no qual foi usada computação gráfica (CGI) para os efeitos.

O prazer do desagradável

“…A gente se propôs o desafio de criar uma história onde umas peças de madeira pintadas conseguiriam provocar desgosto no espectador…”

“Violeta, a pescadora do mar negro” é um curta metragem com a direção dos espanhóis Anna Solanas e Marc Ribas, produzido por I+G Stopmotion,  feito no projeto de curtas da semana de cinema de terror de Donosti, em 2006.  Durante 540 segundos de projeção, um tétrico claro escuro caravaggiano é o palco da vida de uma menina cujos relacionamentos estão sujeitos a um amor arrepiante e enfermiço, que provocará nos espectadores paralisia física e convulsão mental e sensitiva durante aqueles 9 minutos.

A principal influência desta animação provém das experiências neste campo realizadas por animadores de países do Leste Europeu e da ex-União Soviética, onde a criação plástica dos personagens é a pauta para dar início e desenvolver a história, processo característico das animações de autor.

É no trabalho artesanal da madeira que encarnam a vida de uma velha, uma mulher moribunda, um garoto e a Violeta. Ganham vida através da técnica do Stop Motion, que contrasta com o uso das novas tecnologias (uma câmera reflex digital com que foi gravado o curta).

Uma  cena que estimula o prazer do desagradável, que faz do amor, sofrimento e da inocência perversidade:

Blade Runner

Entre a ficção e a realidade.

Seres produto da engenharia genética ao serviço do homem “carentes de sentimentos”, mas com características físicas e intelectuais supra desenvolvidas, enfrentam seu criador, o homem, tentando ganhar algo que nunca tiveram: Liberdade.

Homens policiais com uma missão: acabar a mais perfeita reprodução do ser humano. 117 minutos de filme ilustram, na melhor maneira, um cenário  prospectivo onde a decadência do indivíduo e da natureza é evocada pela tecnologia e a ideia de progresso que hoje continua vigente. Blade Runner é o marco da sociedade do risco, isto é, da incerteza planetária, acompanhada do temor do ser humano ser substituído definitivamente pela máquina.

Blade Runner é, sem dúvida, um daqueles filmes que, com o uso apropriado dos efeitos especiais, consegue manter todo um ambiente de decadência através do manejo da luz-sombra, apesar do excesso de iluminação dos aparelhos eletrônicos. Constrói, ao mesmo tempo, um labirinto tecnológico que dá a sensação de asfixia. O maravilhoso mundo de neon está basado nos quadrinhos de Moebius e Enki Bilal, fazendo do “noir futurista” uma estética transversal do longa-metragem.

Simultaneamente se aborda a questão ética da manipulação genética e suas possíveis consequências, como é o caso do desenvolvimento iminente da inteligência artificial autoprogramada e fora do controle humano.

Este longa-metragem baseado muito livremente no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, do escritor Philip K. Dick, configura uma espécie de oráculo moderno, colocando no entretenimento e levando ao debate acadêmico questões que fazem parte de nossa realidade atual. Há 30 anos este filme era classificado como ficção científica, e hoje…?