Eu deitada e os anjos no meio da praça.

No final de semana, há uns 20 dias, foram 48 horas em que eu só queria ficar deitada procurando vídeos, esperando encontrar um daqueles que provoquem pensamentos tipo: “como fizeram isso?”, ou “gente, que história mais legal!”, ou “que louco criou esse personagem?”. Daqueles que você acha que tem que ver mais uma vez para responder as perguntas que surgiram enquanto assistia. Descobre que na verdade não precisa, só que gostou tanto que pode, quer e necessita ver mais uma, e outra e outra vez; felizmente no domingo, de tarde, tive a sorte de encontrar “Os anjos do meio da praça” um curta de animação da direção de Alê Camargo, roteirista, diretor e produtor de animação, cuja versatilidade lhe permitiu experimentar no campo da publicidade e da docência, e  sua esposa Camila carrossine, artista plástica, autora e ilustradora de livros infantis.

Ainda que já tenha feito os comentários anteriores sobre o curta, não quero contar a história porque acho que são dessas que fazem sentido na experiência de quem as assiste.


Continuando com minha anedota, na quinta depois daquele fim de semana, eu mostrei pra um amigo o que eu tinha achado, ele falou que já tinha visto e que conhecia o site da produtora daquele curta. Dei uma olhada no site e nisso abri a janela de contato. Gente, nesse momento vi a possibilidade de conseguir uma entrevista com ele (Alê) pra fazer um post no blog. Com a ideia na cabeça chegou a sexta, onde a equipe do blog se encontra pra discutir o que vai escrever para o próximo post, e eu ainda sem saber se tinha uma verdadeira chance de falar com ele disse:

– Entrevista com Alê Camargo :S

Fiquei meio preocupada, mas com a esperança de ter algo de informação. Achei, estranhamente, que o twitter poderia ser o meio de exercer pressão, pensava… se faço público o comentário, certeza que ele vai responder (-_-). Devo dizer que nem sempre funciona, por sorte esta vez consegui, mas acho que não foi por aquele negócio da pressão, acho que foi mais do caráter dele. Depois de ser professor você só tem dois caminhos: ou odiar a juventude e ficar com um trauma a vida inteira, ou facilitar a vida da gente. Acho que ele escolheu a segunda.

Agora vamos deixar um pouco minha narração e dar sequência ao relato que o Alê quis compartilhar com a gente nesta oportunidade.

  • Porque escolher a animação como a linguagem audiovisual?

R.: A animação é uma forma de expressão incrível. É a chance de você contar a história que tiver vontade, sem ficar preso aos custos de uma filmagem com atores. É claro que estou simplificando, mas em linhas gerais custa o mesmo fazer uma cena com alguém passeando em Marte, ou sentado em casa vendo TV.

  •  O que é a Buba Filmes?

R.: A Buba Filmes somos eu – Alê Camargo – e minha esposa e sócia, Camila Carrossine . Eu sou animador desde 1997, e a Camila é autora e ilustradora de livros infantis, além de ser artista plástica. Nós produzimos animação e ilustração. Já fizemos vários curtas e pilotos para a TV, comerciais, e booktrailers. No momento também estamos criando e produzindo livros interativos para iPad (para marcas como Discovery Kids, Animal Planet e outras).

http://bubafilmes.blogspot.com.br/p/sobre-nos.html

  • Como fazer produções independentes de qualidade, de onde provêm os recursos?

R.: O Brasil possui várias formas interessantes de incentivo à Cultura, em âmbito estadual e federal. Existem editais diversos para criação de curtas, roteiros, projetos de séries de Tv e por aí vai. Mas é claro, com a popularização de softwares livres e o barateamento dos custos de computadores, nada impede que as pessoas criem suas produções mesmo com recursos próprios. O céu é o limite, e às vezes nem isso.

  • Tem algum projeto em andamento agora?

R.: Estamos trabalhando em vários projetos no momento. Além de estar  produzindo vários apps em parceria com a Editora LivoBooks de Belo Horizonte, estamos no meio da produção de nosso novo curta, o filme “João o Galo Desregulado”. Será nosso primeiro musical, e nosso primeiro filme produzido especialmente para o público infantil. Deve ficar pronto no final de fevereiro.

  •  Falando um pouco mais da logística e da produção do curta-metragem: Como é a distribuição de funções para a pré-produção, produção e pós-produção de um curta?

R.: Aqui na Buba Filmes somos bem tradicionais com as fases do trabalho. Seguimos um método já testado e aprovado por uma infinidade de outros animadores antes de nós.

Criamos um roteiro. A partir dele, criamos os storyboards. Depois editamos os storyboards numa sequência, já com os tempos que as cenas terão no filme pronto: isso é o animatic, e com ele pronto chegamos ao fim da pré-produção.

Então,  modelamos, texturizamos e rigamos os personagens, modelamos os cenários e adereços que serão usados no filme. Com o animatic como base, entregamos os modelos para os animadores, que criam a movimentação das cenas. As cenas já animadas são iluminadas e renderizadas. Muitas vezes, também passamos as cenas por um processo de composição: os elementos são gerados separadamente e montados num software como o Shake da Apple. Isso completa a produção.

Na pós-produção, juntamos todas as cenas, acrescentamos a trilha e os efeitos sonoros, e completamos o filme.

  • Qual é o software que prefere para trabalhar as animações?

R.: Trabalhamos com o software Maya, da Autodesk.

  •  A ideia principal e os personagens de uma animação são fixos desde o principio ou aparecem opções de modificação durante a produção?

R.: Nós temos uma base bem sólida de história pronta desde o começo. Mas às vezes acontecem “acidentes felizes”, e algumas cenas ficam diferentes do planejado. Entretanto, nunca  geramos opções para a edição: é muito trabalhoso animar, então não podemos perder tempo criando material que não será usado no filme pronto.

  •  Ser animador parece ser um trabalho divertido, tem horas que não é assim?

R.: É divertido, mas é incrivelmente trabalhoso. Lembramos-nos disso bem claramente quando não podemos folgar num feriado, por exemplo, ou quando acontece de virarmos uma noite trabalhando para conseguir entregar um projeto.

  •  Uma animação que considere top:

R.: Meu Vizinho Totoro, ou qualquer outro filme do Hayao Miyazak.

Conclusão: Fim de semana de pipoca é Bubafilms.

Anúncios

2 comentários sobre “Eu deitada e os anjos no meio da praça.

  1. Demais!
    Muito reflexivo!
    O que nos leva à diversas interpretações, e todas elas, com algo positivo.
    Ja divulguei aqui, e parabéns pelo post!
    Gracias, Pavlita

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s