Toy Story: nostalgia

O primeiro longa de animação da Pixar, feito totalmente em computação gráfica. Uma das franquias mais bem-sucedidas de todos os tempos.

Aviso: Contém spoilers.

O que foi aquela despedida enigmática, que retrata de modo brilhante o que boa parte dos espectadores tiveram de fazer: doar boa parte dos brinquedos que fizeram suas infâncias divertidas e encarar de frente a vida adulta (mais uma vez um ritual de passagem, as vezes um pouco doloroso)? Foi o que fez Andy, nosso simpático protagonista no fim da trilogia Toy Story, que cresceu, como muitas crianças e jovens das décadas de 90 e 2000, brincando e se identificando com a fidelidade do Xerife Woody ou o desafio de voar de Buzz Lightyear ou algum daqueles outros brinquedos fantásticos com que nos identificamos. Nossos heróis.

Para quem viu: Lembram do Rex, o dinossauro medroso? E do Senhor Cabeça de Batata, empanturrado com objetos, alimentos, ferramentas pela Senhora Cabeça de Batata? E do Bala-No-Alvo, cavalinho carinhoso do Woody? Memoráveis. Dentre os temas em  destaque da trilogia, basicamente os processos de identificação pessoal, emocional e material. Amizade, amor, solidariedade, consumo, preservação e descarte de resíduos. Pode resumir bem as nossas vidas…

Questões: No 1 (1995), até que ponto a amizade é substituída pela legitimação da popularidade? Cuidar ou conhecer o funcionamento dos objetos, desmontando-os? No 2 (1999), a mudança de valores conforme o crescimento da pessoa, impõe a ela que recicle, doe e descarte brinquedos e outros materiais? Ou que ela opte por preservá-los? Mas um museu poderia fazer isso melhor? No 3, (2010) esse mesmo tema é trabalhado, mas de maneira mais solidária. Doar para quem ainda não possui, retardar o destino das coisas para o lixo ou a  incineração, o inferno para os brinquedos.

Em Ted, filme de 2012, do diretor Seth Mac Farlane, criador do seriado Family Guy, a situação de abandono é retratada, mas sob enfoques mais psicológicos e debochados e o Urso Ted envelhece e existe de verdade. Já os brinquedos de Toy Story, assim como em fábulas, são humanizados, mas não interagem com as pessoas, só quando estão sozinhos, o que gera o encantamento das histórias. E Lotso, o urso da Creche, é o vilão…

Segue abaixo o making of de Toy Story (parte 1 e 2), em inglês, que mostra fontes de inspiração e os trabalhos anteriores da Pixar de criação e  técnica para desenvolver a obra, como o filme Tron, de 1982, e Luxo Jr. de 1986, o famoso curta das luminárias. O segundo trecho mostra o processo de criação, com a importância da concepção artística detalhada e verossímil ligada à animação, e do storyboard, espécie de esquema que mostra os rascunhos dos quadros, a fim de constituir uma visualidade sensível e rica com uma história bem consolidada e coerente.

Gerações cresceram vendo Toy Story 1, 2 (aquele da Loja de Brinquedos do All) e 3 e provavelmente outras tantas irão ver, rir e “se emocionar”, no 3 é bem provável… Simplesmente, sensacional, retrato de nossa época.

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2 comentários sobre “Toy Story: nostalgia

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