Blade Runner

Entre a ficção e a realidade.

Seres produto da engenharia genética ao serviço do homem “carentes de sentimentos”, mas com características físicas e intelectuais supra desenvolvidas, enfrentam seu criador, o homem, tentando ganhar algo que nunca tiveram: Liberdade.

Homens policiais com uma missão: acabar a mais perfeita reprodução do ser humano. 117 minutos de filme ilustram, na melhor maneira, um cenário  prospectivo onde a decadência do indivíduo e da natureza é evocada pela tecnologia e a ideia de progresso que hoje continua vigente. Blade Runner é o marco da sociedade do risco, isto é, da incerteza planetária, acompanhada do temor do ser humano ser substituído definitivamente pela máquina.

Blade Runner é, sem dúvida, um daqueles filmes que, com o uso apropriado dos efeitos especiais, consegue manter todo um ambiente de decadência através do manejo da luz-sombra, apesar do excesso de iluminação dos aparelhos eletrônicos. Constrói, ao mesmo tempo, um labirinto tecnológico que dá a sensação de asfixia. O maravilhoso mundo de neon está basado nos quadrinhos de Moebius e Enki Bilal, fazendo do “noir futurista” uma estética transversal do longa-metragem.

Simultaneamente se aborda a questão ética da manipulação genética e suas possíveis consequências, como é o caso do desenvolvimento iminente da inteligência artificial autoprogramada e fora do controle humano.

Este longa-metragem baseado muito livremente no livro “Do Androids Dream of Electric Sheep?”, do escritor Philip K. Dick, configura uma espécie de oráculo moderno, colocando no entretenimento e levando ao debate acadêmico questões que fazem parte de nossa realidade atual. Há 30 anos este filme era classificado como ficção científica, e hoje…?

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4 comentários sobre “Blade Runner

  1. Hoje o limite entre ficçao e realidade esta bem mais reduzido…
    Continuamos vendo como o unico progresso possivel o progresso tecnologico…esperimentos genticos ja sao feitos e o que parecia impossivel esta ao alcance de nossas maos, ate prever legislacoes especificas para evitar esperimentos sobre ser humanos…falando do filme foi a pedra miliar do genero, todos os seguintes sempre refletem sua influencia

    1. A gente dá inteligência para a suposta realidade e os mundos se confundem, os papéis também. Esperamos mais das coisas do que da gente às vezes, por isso o homem tem ficado tão impaciente com o mundo, com ele mesmo, protagonizando transtornos psicológicos. Essa questão de se exigir mais mecanicamente do que em carne é evidente nas redes sociais, que expõem a infantilização dos comportamentos, na esperança de criar uma imagem virtual de si. “Ser ou não ser, eis a questão”.

      1. As redes sociais são um bom começo de quila a utopia do homem perfeito, a rede não só nos permite criar a nossa própria interface e como queremos ser percebidos, também se torna realidade quando nós construímos relações e interconexões que legitimar a nossa presença no mundo virtual e faz do espaço material uma necessidade.

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